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A aproximação entre Brasil e Índia deve ser vista como movimento estratégico, não circunstancial. Trata-se de posicionamento em um dos mercados mais complexos e promissores do mundo.

A Índia é hoje o país mais populoso do planeta, uma das maiores economias globais e uma sociedade marcada por forte desigualdade de renda. Milhões de pessoas estão sendo gradualmente incorporadas ao consumo. Esse avanço é estrutural, e explica o forte protecionismo indiano.

Quando uma nação tem uma base social gigantesca em ascensão, proteger sua produção interna é política de estabilidade. Barreiras tarifárias e exigências regulatórias fazem parte dessa lógica.

Entrar nesse mercado exige reputação e constância.

O Brasil reúne ativos importantes. É um dos maiores produtores de alimentos do mundo, com escala, regularidade e qualidade sanitária. Soma-se a isso uma imagem externa positiva: país aberto, povo acolhedor, diversidade produtiva e capacidade de entrega.

Há um ponto que merece atenção especial: a agricultura familiar. Ela responde por grande parte dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro e sustenta milhares de municípios. Abrir mercados também para esse segmento significa ampliar renda, permitir agregação de valor dentro da própria propriedade e criar alternativas reais para manter o produtor competitivo no campo.

Exportar não é apenas vender volume. É também inserir produtos diferenciados, regionais e com identidade em mercados amplos.

A presença de centenas de empresários brasileiros reforça essa construção. Missões dessa dimensão transformam diplomacia em agenda concreta. Os contatos feitos agora tendem a amadurecer nos próximos meses.

Nesse contexto, ganha relevância o papel da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, que dará continuidade às tratativas e abrirá um escritório comercial de representação na Índia. Presença permanente significa inteligência de mercado, acompanhamento técnico e estratégia de longo prazo.

A Índia continuará protegida. Isso não mudará no curto prazo. Mas, à medida que o consumo se amplia e a urbanização avança, cresce também a necessidade de fornecedores confiáveis.

O Brasil é um deles.

Não é difícil vender o Brasil quando há produto, qualidade e capacidade de entrega. O desafio é manter presença, coordenação e continuidade estratégica.

Se essa aproximação for conduzida com consistência, pode se transformar em uma frente comercial relevante para os próximos anos, fortalecendo grandes exportadores e criando novas oportunidades para a agricultura familiar agregar valor e ampliar horizontes.

Em um mundo que precisa de alimento com previsibilidade e escala, quem entrega com regularidade encontra espaço.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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